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ANTIQUES1-popup Imagem do Funchal de Sara Angelina Acland, 1909

São muitos os que continuam a achar que arte é só na fotografia a preto e branco, sendo a fotografia a cores um parente pobre na fotografia,  só aceite na moda e na publicidade.

Desde que me interessei por esta análise que fui consolidando a ideia de que a fotografia a cores só não atingiu a maturidade artística mais cedo basicamente por dois grandes motivos, o primeiro devido à dificuldade que houve para que a fixação da imagem a cores num suporte se tornasse exequível, e em segundo o medo da mudança por parte dos fotógrafos para um processo em que se perde parte do controlo da revelação e impressão. 

Ao debruçar-me sobre o primeiro motivo, parece óbvio que quando os intervenientes do processo que levou à descoberta da imagem fotográfica no inicio do século XIX, não estariam a tentar chegar à fotografia a preto e branco mas à fotografia a cores. A própria pintura evoluiu desde cedo para a utilização de pigmentos para dar cor às imagens, afinal é assim que vemos o mundo, porque motivo se iria na direcção da imagem monocromática???

Na correspondência com o seu irmão Claude, lamenta-se Niepce de não conseguir imagens com as suas cores naturais, e sabemos que Daguerre também estava preocupado com o mesmo e que, talvez por isso, tardou em apresentar o daguerreótipo.” História da Fotografia, Sougez, M, L, Dinalivro (pág 187)

Quando finalmente alguém reproduziu uma imagem fotográfica em 1839, ainda levou cerca de 20 anos para que se registasse uma imagem a cores. O registo deste feito coube a James Clerk Maxwell, físico britânico em 1861, sendo no entanto um processo muito complexo. Dos processos complexos iniciais até se conseguir um processo mais acessível passaram mais 45 anos, sendo somente por volta de 1904 que os irmãos Lumiére desenvolveram e apresentaram o processo Autochrome em placas de vidro.

Estas ficaram disponíveis ao público em 1907, mais tarde produzidas também pela Agfa e já permitiam também ser usadas para reprodução a cores. Entretanto foram precisos mais uns trinta anos para ficar disponível o processo de 3 camadas em filme da Kodak e Agfa em 1935/36, sendo primeiro para cinema e logo de seguida para fotografia.

Os processos daqui para a frente tornaram-se menos morosos a desenvolver e começaram a surgir variantes de maior sensibilidades e de maior rapidez, no entanto a sua utilização estava muito centrada na moda e na publicidade, e foi preciso chegar à década de 70 do século XX para que um fotógrafo conseguisse expor no MOMA em Nova Iorque fotografias a cores, esse fotografo é o William Eggleston. Embora com muita contestação da parte de famosos como Ansel Adams, valeu a determinação do curador do MOMA, John Szarkowski, para que a exposição se realizasse e provocasse um volt-face na abordagem à fotografia a cores, quase 100 anos depois do seu aparecimento.

 

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